O Supremo Tribunal sinalizou na quarta-feira que é improvável permitir que o Presidente Trump remova imediatamente a Governadora da Reserva Federal Lisa Cook, com juízes de todo o espectro ideológico alertando que tal medida poderia destruir a independência de longa data do banco central.
De acordo com o The New York Times, a argumentação durou cerca de duas horas. Durante o debate, juízes-chave questionaram se a alegação não comprovada de Trump de que Cook se envolveu em fraude hipotecária antes de se juntar à Fed atingiu o nível de "causa" exigido por lei para demitir um governador da Fed.
Vários sugeriram que o caso era prematuro, citando disputas factuais não resolvidas e preocupações de que Cook não tinha recebido aviso adequado ou uma oportunidade de responder. Uma decisão permitindo que ela permaneça no cargo por agora congelaria efetivamente os esforços de Trump para remodelar a Fed.
O caso tornou-se um ponto de inflamação num confronto mais amplo sobre o poder presidencial e a política monetária. Embora a maioria conservadora do tribunal tenha recentemente permitido que Trump destituísse líderes de outras agências independentes, os juízes pareceram cautelosos em estender essa lógica à Fed, que o Congresso deliberadamente isolou da política para proteger a definição de taxas de juro e a estabilidade financeira.
Os juízes Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett alertaram que aceitar a posição de Trump poderia abrir a porta para presidentes demitirem funcionários da Fed "à vontade", minando a confiança na economia dos EUA.
A disputa surge enquanto a administração intensificou os ataques ao banco central, incluindo uma investigação do Departamento de Justiça ao Presidente da Fed Jerome Powell, a quem Trump criticou repetidamente sobre as taxas de juro.
Os tribunais inferiores já se posicionaram ao lado de Cook, concluindo que a alegada conduta privada antes da sua nomeação não pode justificar a remoção. Espera-se que o Supremo Tribunal decida nas próximas semanas ou meses, uma decisão que poderá definir até onde os presidentes podem ir no exercício de controlo sobre a instituição económica mais poderosa da nação.

