Um ícone dos direitos civis afirmou no domingo que o recente "choque sísmico" do Supremo Tribunal ecoa uma época em que o governo dos EUA usava o seu poder para impedir os negros de exercerem o direito de voto.
Press Robinson, 88 anos, que foi o primeiro membro da sua família a votar e o primeiro negro a integrar o conselho escolar de Baton Rouge, declarou recentemente ao Washington Post que a decisão do Supremo Tribunal no caso Louisiana v. Callais deverá desfazer décadas de progresso alcançadas para garantir às comunidades de cor os direitos de votação. Acrescentou que os esforços dificilmente ficarão confinados à Louisiana, e que isso demonstra que a discriminação ainda não desapareceu da vida americana.

"Essa lei aprovada em 1965 foi o alicerce da melhoria de vida na América para as pessoas de cor", disse Robinson. "Este é um caso da Louisiana, mas o resultado não se vai limitar à Louisiana. Vai abrir caminho para a redistribuição de distritos eleitorais em todo o país."
A decisão Callais, aprovada por 6 a 3, derrubou a Secção 2 da Lei dos Direitos de Votação, que proíbe os governos estaduais de manipularem os mapas eleitorais com base em critérios raciais. A ação judicial foi intentada por um grupo que se descreveu como "não afro-americanos", que alegou que um mapa recentemente adotado na Louisiana os discriminava racialmente ao criar um segundo distrito com maioria negra.
Robinson acrescentou que vê outra eliminação histórica do poder negro a acontecer na sequência da decisão do Supremo Tribunal.
"A história está agora a repetir-se", disse ele.

